Nós, atletas, geralmente temos muitas histórias para contar, algumas de superação, outras de alegria, muitas de frustrações também, e cada uma tem um sabor diferente, cada uma carrega uma nova lição e um novo desejo de superação ou de mais conquistas pessoais.

Vasculhando aqui minha memória, tentei pensar em algum momento de glória que eu pudesse compartilhar com vocês e lembrei de um que ocorreu logo que eu iniciei no triathlon.

A natação nunca foi a melhor das minhas três modalidades, pelo contrário. Estava eu numa competição, o Short Distance de Pirassununga, a tal buzina da largada ecoou e lá fui eu para a água com mais centenas de atletas, saí atrás de muitas outras meninas e dali em diante começou a minha “guerra”, com toda a garra do mundo fui ultrapassando muitas no ciclismo e outras tantas na corrida. Lembro que cada vez que eu ultrapassava alguma menina eu me assustava com a quantidade de mulheres e mal entendia de onde vinham tantas, até então eu não tinha ideia de que posição eu tinha saído da água. Na corrida, faltando cerca de 1 km para terminar a prova, o batedor (rapaz na moto que acompanha as primeiras colocadas da prova) se aproximou de mim e disse:

“_Moça, você está quase se aproximando da quinta e da quarta colocada.”

O pódio geral era até a quinta colocada, depois disso viriam os pódios por categoria. Eu quis o geral, quis com muita garra. Desse momento em diante eu busquei forças nem posso imaginar de onde, acelerei o máximo que pude, lembro que comecei a bufar enquanto corria, o som saia descontroladamente pela minha boca e meu coração pulsava num misto de emoção e esforço.

Consegui, passei as duas meninas e cheguei na quarta colocação geral da prova. Logo na linha de chegada meu treinador me esperava aos berros. Assim que cruzei a faixa ele segurou nos meus dois braços, me sacudiu e repetiu várias vezes:

“_Menina, você tem ideia do que você fez? Você tem ideia do que você fez?”

Só nesse momento fiquei sabendo da posição em que eu tinha saído da água: 24ª colocada. Exatamente, tive que ultrapassar 20 meninas durante a prova para chegar onde cheguei. Foi muita alegria, teve muita emoção e muito esforço envolvidos e essa conquista marcou muito a minha vida. Esse foi um dos meus momentos de glória. Nem sempre é assim, mas quando é, faz tudo valer a pena.  A questão é acreditar e nunca perder a fé.

Bons treinos, galera!

XAN Figueiredo
Triatleta – Ztrack