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Superação, essa palavra é muito forte, mas que realmente faz todo o sentido quando enfrentamos um desafio de correr por 42.195 metros. Entre a preparação e o dia da largada da maratona, foi um processo de aprendizado, planilhas e meses de treinos duros e intensos.

Hoje, passados alguns dias após a conclusão da prova e de volta aos treinos, tenho uma outra ótica do que é uma maratona. Em meio aos treinos, me sentia tão bem que cheguei a cometer o erro de prever que completaria a minha primeira maratona em menos de 4 horas, totalmente ingênuo.

Tenho um treinador que é nada mais, nada menos que um ultramaratonista, uma das melhores coisas que poderia acontecer comigo durante a preparação, o Fernando Dias foi o cara que me trouxe para a realidade, sempre pontuou que fisicamente você pode estar 101%, mas uma maratona é uma maratona e vai cobrar de você de tal forma que se você não se preocupar em apenas estar bem, o preço vai ser alto.

Enfim chegado o dia da prova minha única preocupação era completar, cruzar o pórtico e ter aquela medalha que desejei durante muito tempo e agora estava ali para conquistar. Fora toda a emoção do evento, de estar alinhado para a largada, de saber que o que me separava daquela medalha eram apenas 42.195 metros e lá fui eu. Hoje entendo que ter começado em um ritmo muito confortável foi a melhor escolha, poderia ter sido muito difícil concluir em um ritmo que estou acostumado a fazer em distâncias menores. Entendo também que as subidas não são o problema, afinal foi a descida que me fez sentir dor e saber que minha musculatura não estava muito preparada para a porrada que levaria.

Caminhar foi o momento mais complicado para eu aceitar, depois de 35 quilômetros rodados a surpreendentes 3h18min, sabia naquele momento que teria mais 7 km a serem feitos, para minha alegria tinha 41 min e para a minha tristeza eu não tinha perna para fazer isso, o psicológico pesou muito e a vontade de parar foi muito grande, mas como o treinador disse, a maratona te cobra muito, não a subestime.

Aceitei então que a caminhada seria a única solução para chegar até o fim e destes 7 Km andei por quase 4 km completos, mas só assim tive força de fazer pelo menos os últimos 3 km correndo e só tinha vontade de cruzar a linha de chegada correndo, caminhando seria um grande sofrimento.

Concluindo, não tinha noção de que era possível, nunca teria treinado tanto e me esforçado. Todo o suporte que tive fez a diferença e massagens esportivas também foram primordiais para a preparação da musculatura para tudo o que viria a passar. Ao cruzar a linha de chegada meu pensamento era apenas um, “Jamais farei isso novamente”, mas depois de absorver, pensar e refletir, cheguei à conclusão de que vou sim largar para mais algumas maratonas, estarei melhor preparado e a irei respeitar muito mais. Realmente a maratona muda sua vida, e se você conseguir enxergar os pontos positivos, será uma pessoa melhor.

Rodrigo Bueno – Aluno Ztrack